As peças de desgaste de britadores — incluindo placas de mandíbula, revestimentos de cone e barras de impacto — são os componentes mais frequentemente substituídos em operações de mineração e agregados, representando até 30% dos custos anuais de manutenção de uma planta de britagem. O desgaste prematuro não só aumenta o tempo de inatividade e as despesas de substituição, como também interrompe os cronogramas de produção, tornando o gerenciamento de peças de desgaste um fator crítico para a eficiência operacional. Este artigo explora os principais mecanismos de desgaste que afetam os componentes de britadores e fornece estratégias baseadas em evidências para prolongar sua vida útil, utilizando dados de manutenção da indústria e princípios da ciência dos materiais.
O desgaste nas peças do britador não é um processo aleatório; ele é impulsionado por três mecanismos dominantes, cada um ligado a condições operacionais e propriedades do material específicas. O mais prevalente édesgaste abrasivo, que ocorre quando partículas duras e angulares (como granito ou basalto) raspam a superfície das peças sujeitas a desgaste, removendo gradualmente o material. Esse mecanismo é responsável por mais de 60% do desgaste prematuro em placas de mandíbula e revestimentos cônicos, principalmente em usinas que processam minérios com alto teor de sílica. O segundo édesgaste por impacto, causada por colisões de alta velocidade entre os materiais de alimentação e componentes como as barras de impacto do britador. Esse tipo de desgaste é comum em aplicações de reciclagem, onde detritos de concreto e resíduos de construção geram cargas de choque repetidas. Finalmente,desgaste por fadigaO desgaste por fadiga surge do estresse cíclico: à medida que as peças do britador se flexionam sob carga contínua, microfissuras se formam na superfície, levando eventualmente ao desprendimento do material. Britadores cônicos, que operam sob altas forças de compressão, são especialmente propensos ao desgaste por fadiga no manto e nos revestimentos côncavos.
Compreender esses mecanismos é o primeiro passo para prolongar a vida útil das peças de desgaste, mas a ação prática requer uma combinação de seleção de materiais, instalação adequada e manutenção proativa.
Seleção de materiaisé a base da resistência ao desgaste. Por exemplo, o Mn13Cr2 é uma escolha economicamente viável para aplicações com abrasividade baixa a média, como a britagem de calcário, devido às suas propriedades de endurecimento por deformação, que o tornam mais resistente sob impacto. Em contrapartida, o Mn18Cr2 — com maior teor de cromo — oferece resistência superior à abrasão em materiais com alto teor de sílica, como o granito, tornando-o ideal para uso prolongado em ambientes de mineração exigentes. A adequação do material à dureza e abrasividade do material de alimentação pode reduzir as taxas de desgaste em 20 a 30%, de acordo com dados da Conferência Internacional de Mineração e Recursos (IMARC).
Instalação adequada e manutenção de rotinasão igualmente cruciais. Mesmo os materiais mais duráveis falharão prematuramente se instalados incorretamente. Para britadores de mandíbulas, garantir que as placas de mandíbula estejam alinhadas com espaçamento uniforme evita o desgaste irregular e reduz a tensão no conjunto da placa de articulação. Para britadores cônicos, verificações regulares do espaçamento entre o manto e o côncavo e do torque nos parafusos de fixação podem eliminar o desalinhamento que causa desgaste por fadiga. Além disso, a lubrificação dos pontos de articulação e a inspeção periódica da espessura das peças de desgaste (usando ultrassom ou paquímetro) permitem que as equipes programem substituições antes que ocorra uma falha catastrófica, minimizando o tempo de inatividade não planejado.
Otimização operacionalAumenta ainda mais a vida útil das peças sujeitas a desgaste. Controlar o tamanho e a distribuição da alimentação reduz as forças de impacto: por exemplo, usar um alimentador vibratório para distribuir uniformemente o material na câmara do britador evita o desgaste localizado em um dos lados da placa de mandíbula. A pré-peneiração do material de alimentação para remover partículas finas (menores que 10 mm) também reduz o desgaste abrasivo, pois as partículas finas atuam como um meio de moagem entre a peça sujeita a desgaste e as rochas maiores. Por fim, ajustar as configurações do britador — como a configuração de fechamento lateral (CSS) em britadores cônicos — para corresponder ao tamanho desejado do produto evita a britagem excessiva, que aumenta o estresse desnecessário nos revestimentos.
Em conclusão, prolongar a vida útil das peças de desgaste de britadores não se resume a escolher o material “mais duro”, mas sim a adotar uma abordagem holística que considere os mecanismos de desgaste em todas as etapas da operação. Ao selecionar materiais adequados às características da alimentação, implementar protocolos rigorosos de instalação e manutenção e otimizar os parâmetros operacionais, os gestores de planta podem reduzir significativamente os custos de manutenção e melhorar a confiabilidade da produção. Para empresas do setor de britagem, investir na longevidade das peças de desgaste não é apenas uma medida de redução de custos, mas sim um passo estratégico rumo a operações sustentáveis e eficientes.
Data da publicação: 04/02/2026
